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Crise no Varejo: Por que a Argentina Tem a Roupa Mais Cara e Milei Abre as Portas para Importados

Governo Milei aposta na abertura econômica para combater preços altos, mas setor têxtil local enfrenta dificuldades e demissões

Um estudo recente apontou que a Argentina possui os preços de roupas mais altos da região, impulsionados por impostos elevados e barreiras à importação. Em resposta, o governo de Javier Milei reduziu tarifas e incentivou compras no exterior, gerando polêmica e impactando a indústria têxtil local, que enfrenta queda nas vendas e fechamento de lojas.

Redação Sintetiza • há 21 dias • 5 min de leitura

Crise no Varejo: Por que a Argentina Tem a Roupa Mais Cara e Milei Abre as Portas para Importados

Em busca de preços mais acessíveis, muitos argentinos têm cruzado fronteiras ou recorrido a compras online no exterior para renovar seus guarda-roupas. A situação reflete um cenário complexo, onde a inflação persistente e a alta carga tributária tornam as roupas produzidas localmente menos competitivas.

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Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina, divulgado em março do ano passado, uma camiseta de marca internacional pode custar até 95% mais caro na Argentina do que no Brasil, antes da redução das tarifas de importação implementada pelo governo Milei. O ministro da Economia, Luis Caputo, chegou a afirmar que nunca comprou roupas na Argentina por considerar os preços abusivos.

O principal argumento do setor têxtil argentino é a alta carga tributária. Claudio Drescher, presidente da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, afirma que mais da metade do valor pago pelo consumidor corresponde a impostos, incluindo o IVA de 21% e o imposto sobre movimentações bancárias.

Além dos impostos, as barreiras à importação, que vigoraram por anos, também contribuíram para os preços elevados. Antes do governo Milei, as roupas importadas pagavam uma tarifa de 35%. O governo atual reduziu essa tarifa para 20% e eliminou as licenças não automáticas de importação, facilitando a entrada de produtos estrangeiros.

A abertura econômica promovida pelo governo Milei tem como objetivo aumentar a concorrência e reduzir os preços locais. No entanto, a medida tem gerado preocupação no setor têxtil, que alega perda de competitividade devido aos altos impostos e à queda do consumo interno.

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Dados da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina indicam que as vendas de marcas argentinas caíram, em média, 38% nos últimos 18 meses, resultando no fechamento de mais de 1.600 lojas e na perda de mais de 10 mil empregos formais. O governo, por outro lado, argumenta que não há perda de empregos, mas sim uma "realocação da força de trabalho".

Especialistas como Juan Carlos Hallak, doutor em economia pela Universidade Harvard, consideram a abertura econômica positiva para a Argentina a longo prazo, mas alertam para a velocidade das mudanças.

É uma abertura às importações muito agressiva em um setor extremamente sensível. Colocar pressão demais sobre esse setor de uma vez, sem dar tempo para adaptação, pode ser um erro

Juan Carlos Hallak — Doutor em economia pela Universidade Harvard

Ele defende um prazo maior para que a indústria têxtil se adapte e possa competir com produtos importados.

O governo Milei argumenta que a falta de competitividade da indústria têxtil argentina não se deve apenas aos custos, mas também à falta de inovação. O presidente chegou a comparar a situação com a Itália, que possui salários mais altos, mas uma indústria têxtil forte devido ao design e à qualidade de seus produtos.

Enquanto o governo aposta na abertura econômica para combater os preços altos, o setor têxtil busca alternativas para se adaptar à nova realidade, como a redução de impostos e a busca por maior competitividade. O futuro do varejo de moda na Argentina permanece incerto, com a necessidade de um equilíbrio entre a abertura ao mercado global e a proteção da indústria local.

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